07/03/1998 – Conselheiro Galvão ‘abençoada’ por Messias (Madureira 3×2 Botafogo)

zebras

Por Emerson Pereira

Terra das escolas de samba Império Serrano e Portela, Madureira, na Zona Norte do Rio, aspira festa e comemorações. Em 7 de março de 1998, o cenário dos festejos não foi nenhuma das quadras das agremiações, sendo ao lado do famoso Mercadão, na Rua Conselheiro Galvão. Se na Bíblia foi Moisés quem abriu o Mar Vermelho para seu povo passar, mas no Estádio Aniceto Moscoso foi Messias que abriu o caminho da felicidade para o Madureira Esporte Clube.

Neste dia, um sábado ensolarado, o Tricolor Suburbano teve pela frente um adversário embalado pelo título do Torneio Rio-São Paulo: o Botafogo. Porém, o título alvinegro ainda deixava alguns descontentes com os salários atrasados: “Saí revoltado mesmo, não peguei medalha. O que estão fazendo é uma falta de respeito. Não sei qual é o problema entre eles. Assinei um contrato no início da temporada e eles não estão cumprindo”, reclamou o volante Djair após a conquista contra o São Paulo.

SEM DJAIR, Botafogo comemora título do Rio -São Paulo (Foto: Divulgação)
SEM DJAIR, Botafogo comemora título do Rio -São Paulo (Foto: Divulgação)

Apesar dos problemas internos, o Botafogo foi com força máxima para encarar o Madura dentro de Conselheiro Galvão. Porém, nem o mais pessimista dos torcedores botafoguenses iria imaginar uma derrota de 3 a 0 para o modesto time do Madureira… Até ficou 3 a 0, mas o Glorioso reagiu no fim e a partida terminou. Isso, você descobrirá agora.

CAIU EM CONSELHEIRO GALVÃO. Botafogo não resiste à Messias e cia. e perde para o Madureira (Foto: Nilton Claudino/Jornal do Brasil)
CAIU EM CONSELHEIRO GALVÃO. Botafogo não resiste à Messias e cia. e perde para o Madureira (Foto: Nilton Claudino/Jornal do Brasil)

O Botafogo começou o embate superior aos donos da casa. Porém, com o passar do tempo, o Madureira passou à levar perigo ao gol do experiente goleiro Wagner, principalmente com o Messias e Moisés. O time de General Severiano só teve a sua primeira grande chance apenas aos 41 minutos. Tico Mineiro foi no “segundo andar” e cabeceou firme e, por pouco, o arqueio Carlão não aceitou. A partida se encaminhava para o intervalo com o placar inalterado, mas Messias “abriu o mar” suburbano. Logo após a chegada do Fogo, Haroldo executou passe perfeito para o atacante do MEC, que arriscou de fora da área, pela esquerda. Como um míssil, a bola foi parar no ângulo esquerdo de Wagner: 1 a 0, placar do primeiro tempo.

Na segunda etapa, o time alvinegro se lançou de forma desordenada ao ataque… O Madureira agradece. Esperando sempre a “boa”, o Tricolor Suburbano saía nos contra-ataques. Na marca dos 18 minutos, Cafezinho saiu em velocidade pela direita e serviu Zezinho, dentro da área, que só tocou na saída do goleiro: 2 a 0. Enquanto os torcedores do Madureira comemoravam o segundo gol, o terceiro saiu. Wagner e Jorge Luís ficaram indecisos e Julinho não bobeou e pôs na rede: 3 a 0.

Mesmo estando muito atrás no placar, o time de Gilson Nunes não se entregou. Em cobrança de falta magistral, Bebeto descontou para o Botafogo, aos 25. Cinco minutos depois, Nilson – que entrara no lugar de Zé Carlos – recebeu passe de França e pôs na rede: 3 a 2. A partir daí, só deu Botafogo. Nos últimos minutos, Nilson foi ao chão após disputa de bola com o zagueiro Junior. Pênalti polêmico assinalado pelo árbitro Sérgio Cristiano. Bebeto foi para a cobrança e mandou na trave. Fim de papo, a festa foi do Tricolor Suburbano…

Por todos esses fatos, 7 de março de 1998 era dia de zebra…

DADOS DA PARTIDA:

Madureira
3
2
Botafogo
Estádio:Estádio Aniceto Moscoso, Rio de Janeiroi-RJ Data: Sábado, 07/03/1998 Horário: 16:00
Árbitro: Sérgio Cristiano

Carlão; Cafezinho, Junior, Marcelo e Edinho; Moisés, Haroldo, Hermes e Julinho; Zezinho (Fabio) e Messias. Técnico: Bonamigo.
Wagner; Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jeferson; Pingo, França (Marcelo Alves), Djair e Tico Mineiro (Robson); Bebeto e Zé Carlos (Nilson). Técnico: Gilson Nunes.
Cafezinho, Junior, Marcelo e Moisés
Djair
Não houve
Não houve
Messias (1x0 - 42' 1ºT), Zezinho (2x0 - 18' 2ºT), Julinho (3x0 - 20' 2ºT), Bebeto (3x1 - 25' 2ºT) e Nilson (3x2 - 30' 2ºT)
1.820 pagantes (Renda: R$ 18.820)