Carnaval e futebol: casamento perfeito na folia

Por Super Gol

Carnaval e futebol talvez sejam as maiores paixões dos brasileiros. Se um futebol bem jogado alegra seus torcedores, o mesmo ocorre quando um escola de samba emociona a todos com um belo desfile, seja em qual grupo (ou divisão) for. O Super Gol traz para você algumas agremiações que tiveram o mundo futebolístico como tema.

O único ano e o histórico ‘nado’ de um Beija-Flor

SOB TEMPORAL. Em homenagem ao futebol, Beija-Flor ficou com o vice (Foto:  Anibal Philot/Ag. O Globo)
SOB TEMPORAL. Em homenagem ao futebol, Beija-Flor ficou com o vice (Foto: Anibal Philot/Ag. O Globo)

No transcorrer dos anos, enredos e o futebol se encontraram diversas vezes no Rio de Janeiro. E não somente os atletas que vão à folia. Se São Paulo diversas escolas esportivas tomam conta dos grupos, recentemente os festejos cariocas contaram com uma agremiação do tipo: o Império Rubro-Negro, que colocou seu carnaval na rua apenas em 2014, pelo Grupo B ( a terceira divisão), e amargou a última colocação.

Porém, o futebol é tema das escolas de samba desde a década de 1980. Uma das primeiras a levar um enredo sobre o esporte mais praticado no mundo foi a Beija-Flor, em 86. Desenvolvido pelo gênio Joãosinho Trinta, a agremiação de Nilópolis desfilou sob um verdadeiro dilúvio e conquistou o vice-campeonato com “O mundo é uma bola”.

Centenários lembrados

OLHA O ESTÁCIO CHEGANDO. Escola comemorou os 100 anos do Fla (Foto: Extra)
OLHA O ESTÁCIO CHEGANDO. Escola comemorou os 100 anos do Fla (Foto: Extra)

Já no ramo das homenagens aos clubes, nunca nenhuma agremiação levou o caneco. Em 1995, o Estácio de Sá levou para o Sambódromo Darcy Ribeiro uma homenagem ao centenário do Rubro-Negro da Gávea, “Uma vez Flamengo”. O desfile assinado por Mário Borriello conquistou a sétima colocação do Grupo Especial, vencido pela Imperatriz Leopoldinense.

Três anos após desfile sobre o Megão, foi a vez do Vasco da Gama entrar na pista com a Unidos da Tijuca. Com o enredo “De Gama à Vasco, a epopeia da Tijuca”, a escola do Morro do Borel marcou o carnaval com um dos refrões mais famosos até os dias atuais: “Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol)/A rede vai balançar, vai balançar/Sou Vasco da Gama, meu bem”. Apesar do samba cantado à plenos pulmões, os tijucanos amargaram o rebaixamento ao Grupo de Acesso de 1999.

SANGUE. Unidos da Ponte levou o America para Sapucaí (Foto: Juha Tamminen)
SANGUE. Unidos da Ponte levou o America para Sapucaí (Foto: Juha Tamminen)

Nas divisões inferiores (grupos), também não faltaram homenagens aos clubes. Em 2003, a Acadêmicos da Rocinha festejou o centenário do Fluminense – completado em 2002 – com o enredo “Nas asas da realização, entre glórias e tradições, a Rocinha faz a festa dos 100 anos de campeão… Sou tricolor de coração!”, ficando na 10ª posição da segunda divisão do samba.

Por outro lado, no terceiro grupo, o America foi a inspiração da Unidos da Ponte, onde o centenário do Sangue foi comemorado na Sapucaí. “Hei de torcer, torcer, torcer… América 100 anos de paixão” redeu aos meritienses o 5º lugar. No mesmo ano, a Unidos de Padre Miguel também comemorou um centenário: o do Bangu Atlético Clube. No último e sexto grupo da folia carioca, que desfila na Estrada Intendentes Magalhães, em Campinho, a agremiação da Vila Vintém ficou com o vice-campeonato e foi promivida de grupo, com o enredo “Bangu, glórias em séculos de histórias”.

Personalidades

DA NAÇÃO. Zico foi o tema da Imperatriz há dois anos (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
DA NAÇÃO. Zico foi o tema da Imperatriz há dois anos (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Os enredos biográficos sãos pra lá de comuns no Carnaval. Como não poderia ser diferente, alguns atletas já foram homenageados na Avenida. Na última década, quem abriu o período de enredos futebolísticos foi a Vila Isabel, em 2002. Contando a história do lateral-esquerdo Nilton Santos, a agremiação do Morro dos Macacos viu o retorno à elite de perto, ficando com o vice-campeonato, com o enredo “O Glorioso Nilton Santos… Sua bola, sua vida, vossa Vila”, de João Luiz de Moura. Anos antes, em 89, a extinta Boêmios de Inhaúma conquistou o 4º lugar com “Roberto Dinamite, a Explosão do Gol”, no quinto grupo.

Meses após o título do Brasil na Copa do Mundo, a Tradição se inspirou em Ronaldo Fenômeno para contar o enredo “O Brasil é Penta, R é 9 – O Fenômeno Iluminado”. Porém, o resultado quase levou a escola de Campinho ao descenso do Especial, ocupando a penúltima colocação.

Mais recentemente, em 2014, a Imperatriz Leopoldinense desenvolveu o enredo “Arthur X – O Reino do Galinho de Ouro na Corte da Imperatriz”, em homenagem ao maior ídolo do Flamengo: Zico. Viajando pela infância e a vida do Galinho de Quintino, a Verde e Branco de Ramos viu o título escapar entre os dedos por problemas de evolução, terminando na 5ª colocação.

Para 2016, a Grande Rio levará o enredo sobre a cidade de Santos, tendo Pelé e Neymar como os personagens que vão conduzir o desenvolvimento do enredo. Já na Série A (segundo grupo), a Caprichoso de Pilares terá o ex-meio-campista Petkovic como o personagem principal da homenagem aos gritos que fizeram fama no Brasil.