Craque na bola e na telona: Heleno de Freitas

Por André Luiz Pereira Nunes

Heleno, ídolo do Botafogo
Heleno, ídolo do Botafogo

Craque de uma época em que o futebol ainda não se transformara em um mercado altamente lucrativo, e em que o jogador amava de fato as cores do clube do qual fazia parte, Heleno de Freitas foi um dos grandes nomes do futebol sul-americano dos anos 40. Contudo, a exemplo de seus companheiros de geração, não se tornaria milionário como qualquer atleta de nível médio dos tempos de hoje.

Ao contrário do que se poderia pensar, não se trata de um filme sobre futebol, mas um drama. Não haveria outra maneira de se narrar a triste trajetória do polêmico ídolo amado pela torcida botafoguense, pioneiro de uma série de “bad boys” do futebol brasileiro. Quem acompanhou as trajetórias de Edmundo, Ronaldinho, Adriano e outros atletas talvez nem imagina que todos eles tiveram um célebre antecessor.

Referencial do Botafogo, na era pré-Garrincha, foi apelidado pela torcida adversária de Gilda, filme estrelado por Rita Hayworth, no papel da mulher tão bela quanto complicada. O ídolo marcou sua trajetória pelo time de General Severiano com 209 gols em 235 partidas, tornando-se o quarto maior artilheiro da história da agremiação alvinegra. Em 1948, foi vendido ao Boca Juniors, até então a maior transação do futebol brasileiro. De volta ao Rio de Janeiro, atuou pelo Vasco da Gama, conquistando o título de campeão Carioca de 1949, coadjuvado pelos companheiros do inesquecível “Expresso da Vitória”. No Júnior de Barranquilla, da Colômbia, marcou 14 gols em 47 jogos. Entre 1950 e 51, ainda defenderia as cores do Santos ao assinalar a incrível marca de 18 gols em 20 jogos. Encerrou melancolicamente a sua carreira no America ao jogar somente uma partida, a sua única no estádio recentemente inaugurado do Maracanã. Acabaria expulso aos 35 minutos ao atingir violentamente um zagueiro rival. Faria ainda 18 partidas pela Seleção brasileira, marcando 19 gols. Sagrou-se artilheiro do Campeonato Sul-Americano, em 1945, com 6 gols.

Heleno de Freitas no Boca Juniors

Espetacularmente interpretado pelo galã Rodrigo Santoro e encenado de maneira realística em preto e branco, o filme corre em paralelo à imagem do ídolo em pleno sucesso e do doente magro e louco internado em um manicômio em Barbacena, conseqüência da vida desregrada e do avanço da sífilis, doença a qual se negara a tratar, apesar dos insistentes protestos de médicos e dirigentes.

Para interpretar o personagem, Santoro foi obrigado a perder 12 quilos. As duas horas de projeção relembram a memorável, entretanto decadente trajetória de um personagem que pensava que sua fama se estenderia por toda a eternidade. Ele infelizmente estava certo.

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