Depois de reconquistar acesso com o Campos, Branco dispara: ‘Queria que todo acesso tivesse dinheiro porque ia estar rico’

Por Vitor Melo (Foto: Vitor Melo/Super Gol)

Reviravoltas, paciência e, enfim, alívio. Esses foram os contornos do suado acesso campista à Série B1. Depois de se impor em sua casa e vencer por 2 a 0, o Roxinho foi até o Estádio Alziro de Almeida, em Itaboraí, visitar o Maricá pelo jogo que seria o capítulo final da longa novela da Série B2. Mesmo com a derrota pelo placar mínimo, o Campos conquistou uma vaga ao segundo escalão do futebol fluminense, através da vitória superior no jogo de ida. Líder fora de campo, o técnico Branco apontou o sentimento do êxito e desabafou após a partida:

– Foi atípica, estranha (decisão do acesso). Queria que todo acesso tivesse dinheiro porque ia estar rico. Dois acessos, eu ia tirar dinheiro do meu presidente. Mas falando sério, eu acho que a gente tem motivo de alegria por ter reconquistado esse nosso acesso, papai do céu ter olhado para a gente e falado que: ‘é de vocês porque vocês conquistaram honestamente’ – afirma o treinador, que continua:

– Por outro lado, fico triste porque infelizmente cabe, ainda, essas situações. É por isso que você olha as equipes grandes do Rio de Janeiro e todas passando mal no Campeonato Brasileiro, elas não andam na primeira divisão, na libertadores, pelo simples fato de terem forças estranhas, coisas estranhas e que conseguem beneficiá-las. Quando pegam uma situação de verdade, as coisas realmente se complicam – diz Branco, criticando a competição.

Ainda sobre a forma como foi conduzida a Série B2, o técnico campista lamentou o regulamento e citou a injustiça, como fator preponderante para sua equipe:

– É lamentável, saí daqui muito novo para jogar futebol e militei Europa, Ásia e confesso a você, já joguei em país de guerra e nunca vi tamanho absurdo, tamanha injustiça. Mas como eu disse em outras entrevistas, talvez se ficasse aquele acesso, muita gente ia alegar que nós tiramos vaga, que a gente tinha chegado em terceiro. O regulamento é tão desfavorável que, caso a nossa equipe precisasse realmente brigar, eu pensaria diferente, caso pudesse brigar no campeonato pela primeira colocação, eu não iria importar, eu sabia do regulamento, eu sabia que tinha que ser campeão, mas isso não nos garantiria o primeiro lugar – revela o comandante.

Por fim, Branco revelou que sua equipe se acomodou, após conquistar o título do primeiro turno. Além destas razões, o treinador confessou certo “medo” e “coisas estranhas” no imbróglio judicial:

– É lógico que uma equipe que ganha o primeiro turno, com muito sacrifício, automaticamente se acomoda. E nisso nós demos chances a outros para avançar e pontuar mais que a gente. Então, um título nosso acabou sendo traiçoeiro. Nós ganhamos a vaga, que o regulamento diz isso, inclusive eu fui prejudicado porque joguei aqui mesmo nesse estádio sem os laterais canhotos que eu tinha e não podia lançar um menino que iria completar 21 anos. Com medo disso, do regulamento, joguei com um destro, zagueiro, tive que improvisar. Os caras fizeram, o regulamento tava ali, ganhamos na primeira instância e depois, enfim, coisas estranhas. Graças a Deus a gente teve tempo, teve a felicidade de dar a volta por cima e, por ironia do destino, jogar contra o protagonista da situação. Foi um tira teima, como disse os jogadores. Nesse tira teima a gente foi feliz – encerra Branco.

Campos e Nova Cidade irão medir forças na próxima quarta-feira, 05, às 16h, em Los Larios, pela grande final da Série B2.