Esquecidos FC – Associação Atlética Volantes

Por Emerson Pereira Gustavo Azevedo

Volantes – Não se enganem, ele é de Mesquita

O futebol da cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense, repercute dentro do estado do Rio de Janeiro e até para o país em dois pontos. Pela cidade abrigar o estádio Giulite Coutinho, pertencente ao America FC e também por ser a morada do Mesquita FC, primeiro clube da Baixada Fluminense a disputar a elite do futebol do Rio de Janeiro. Mas a cidade também tem espaço para outro clube. Esse se encontra entre os trilhos de ferro da Central do Brasil e as torres de energia Light, mais precisamente na esquina da Rua Marcial com a Rua Ladislau no bairro Juscelino. Falamos da Associação Atlética Volantes de Mesquita.

Em destaque, o escudo do clube (Foto: Emerson Pereira)
Em destaque, o escudo do clube (Foto: Emerson Pereira)

História

Folheamos o tempo em sentido contrário. Nosso destino é o município de Nova Iguaçu, num tempo muito antes de ser acessada pela Via Light, quando a Rodovia Presidente era um sonho próximo a ser concretizado e ainda podia-se sentir o cheiro dos últimos laranjais presentes na região.

O ano é 1950. Atentemos a um grupo de taxistas do distrito de Mesquita (na época, o município de Mesquita pertencia à Nova Iguaçu), que motivados em criar um clube para o seu lazer, fundam uma agremiação com um nome relacionado à própria ocupação. Assim surgia o Volantes de Nova Iguaçu. A fundação do Volantes ocorre em 12 de outubro de 1950, ficam acertadas as cores da nova agremiação, azul e branca. E como não poderia deixar de ser, ratificando a origem do clube, o escudo do clube é um volante de carro com a sigla da agremiação.

Na época, o clube teve uma grande ajuda do poder público de Nova Iguaçu, que cedeu um terreno com 14 mil m² de área no Bairro Juscelino Kubitscheck, próximo à estação ferroviária e sendo o lar do Volantes até os dias atuais. Como o clube nasceu com perspectivas amadoras, o Volantes nas suas três primeiras décadas de vida se limitou às competições da Baixada Fluminense. Dentre essas competições, destacamos os campeonatos das Ligas de Desportos de Mesquita, Nova Iguaçu e Queimados. Apesar da tradição da equipe na região, não há registros de taças conquistadas nesse período, mas nem por isso o clube deixou de ganhar notoriedade no futebol amador da Baixada Fluminense.

1984 e o desafio no profissionalismo

Troféu de Campeão Carioca Sub-20
Troféu de Campeão Carioca Sub-20 de 86

Certamente, os momentos mais gloriosos do Volantes nos gramados ocorreram no período em que o clube decidiu entrar nas disputas profissionais do Campeonato Carioca. O principal fomentador do ingresso do clube no profissionalismo foi o senhor Geraldo Muchelle, popularmente conhecido como Geraldo da Farmácia, que atualmente está afastado do clube, mas que foi preponderante para a profissionalização do clube em 1984.

O Volantes disputou os Campeonatos Carioca da Terceira Divisão dos anos de 1984, 1985, 1986, 1989, 1990, 1991 e 1993. Em 1991 e 1993, a Terceira Divisão era denominada por Segunda Divisão, devido o segundo escalão ser declarado como Grupo B da Primeira Divisão. O ano de 1986 merece menção especial, pois foi um ano de grandes campanhas para as fileiras do azul e branco de Mesquita. Naquele ano, a equipe profissional terminou na 3ª colocação da Terceira Divisão, ficando muito próxima do acesso à Segunda Divisão. O Volantes foi ultrapassado por clubes da região, que acabaram conquistando o acesso: Tomazinho, de São João de Meriti, e Nova Cidade, de Nilópolis, sendo que o último chegou à elite no final daquela década. Em 1986 também veio o título de maior expressão da agremiação, campeão da Terceira Divisão na categoria de juniores. Apesar da disputa contra Tomazinho e Nova Cidade, as principais rivalidades do clube são com Mesquita, em âmbito profissional, e Potiguar, no futebol amador da cidade.

Para o atual presidente do clube, o senhor Claudio Gimenez, que também foi ex-atleta juvenil do clube nos anos 80, o período no profissionalismo é lembrado com nostalgia e também com certa indignação: “Jogar os campeonatos da Terceira Divisão naquela época foi muito bom, porém a irresponsabilidade das administrações daquele período comprometeram o futuro do clube no âmbito profissional. Um exemplo são as dívidas deixadas junto à federação, que dificultam nossa volta”. Outro ponto que faz Claudio Gimenez reclamar das administrações anteriores é a questão da memória do clube: “Infelizmente, as pessoas que passaram pelo clube não deixaram registros desse período do clube no passado”.

O Volantes revela volantes

O clube que já foi campeão nos juniores também revelou jogadores com certa fama no futebol nacional. Coincidentemente, o Volantes tem habilidade na formação de jogadores de contenção no meio-campo. Em outras palavras, volantes. Esses volantes seriam Ibson, com passagens por Flamengo, Santos, Corinthians e futebol português e Rodrigo Souto, com passagens por Vasco da Gama, Santos, São Paulo e Sport Recife.

Claudio Gimenez, presidente do Voltantes (Foto: Emerson Pereira)
Claudio Gimenez, presidente do Voltantes
(Foto: Emerson Pereira)

O clube atualmente

O Volantes vem se dedicando ao futebol amador desde 1993, sempre disputando os principais campeonatos de ligas da Baixada Fluminense nas categorias de base, adulta e sênior. Os veteranos do clube tem sido a principal alegria do clube nos últimos anos, conquistando títulos entre os anos de 2007 e 2012. Em 2013, a melhor colocação foi alcançar as oitavas de final da Liga Iguaçuana.

Na categoria de juniores o clube vai além. Nos últimos anos o clube vem firmando frequentemente parcerias com clubes da Terceira Divisão para a disputa do certame de juniores da Terceirona. Em 2013, o Volantes firmou parceria com o União de Marechal Hermes. Na disputa o Volantes ficou na terceira colocação num grupo com 5 equipes, onde só passava o primeiro colocado da chave, no caso o Duquecaxiense, campeão do torneio.

Cláudio Gimenez diz que ainda é precoce afirmar que o Volantes estará junto a algum clube na Terceira Divisão de juniores do ano atual, mas se houver parceiros que veiam custear a participação, não onerando o clube, certamente veremos o time azul e branco em ação no certame. Atualmente, Cláudio Gimenez está empenhado em repaginar o clube. As obras de recuperação do campo society do clube estão no fim e existem projetos para a recuperação de outras dependências do clube, como o ginásio e o campo de futebol, fora a construção de uma piscina para os sócios. O presidente novamente lamenta administrações passadas, que deixaram o patrimônio do clube se deteriorar e não cumpriram, segundo ele, deveres básicos: “Eu sou o primeiro presidente à assinar a carteira de trabalho dos funcionários do clube em toda a história do Volantes”.

A gestão do presidente Cláudio Gimenez é também composta pelo vice-presidente administrativo André Rodrigues, pelo tesoureiro Robson Gomes e pelo diretor administrativo José Antônio. O mandato tem duração de três anos, com direito a uma reeleição. Gimenez está no segundo mandato e no ano de 2015 passará o seu cargo de presidente do clube, que possui atualmente um número de 500 a 600 sócios, mas só 100 destes tem direito à voto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *