Esquecidos FC – Brasil Industrial Esporte Clube

Outro detalhe das dependência do clube. (Foto: Gustavo de Azevedo)

Por Emerson Pereira e Gustavo de Azevedo

Brasil Industrial – O futebol no seio da fábrica

As próximas linhas falam de um clube de futebol muito tradicional em sua região, que enverga em seu escudo e uniforme, o vermelho e o branco e tem profunda identidade com uma fábrica que o abraçou nos seus primórdios. Parece que estamos a falar do Bangu, mas nossa intenção é rebuscar as glórias e o presente do pungente Brasil Industrial Esporte Clube da cidade de Paracambi.

Escudo do Brasil Industrial nas dependências do clube. (Foto: Gustavo de Azevedo)
Escudo do Brasil Industrial nas dependências do clube. (Foto: Gustavo de Azevedo)

A História

Apesar do Bangu não ser o nosso assunto no momento, devemos dizer que o glorioso time da Zona Oeste tem uma raiz perdida no solo daquela cidade da Baixada Fluminense, que possui 47000 habitantes e tem um certo ar de interior. No ano de 1912, seis jovens desembarcaram em Paracambi, que ainda era um distrito distante de Itaguaí, trazendo o futebol como grande novidade. Essa novidade chegou aos ouvidos dos funcionários e diretores da Companhia Têxtil Brasil Industrial, que era uma importante indústria de tecidos da região e orgulho local. A inspiração dos jovens Clarence Hibs, Frederich Jacques, John Starck, Ernesto Bauer, Jersey Starck (nascidos na Inglaterra) e Guilherme Gomes (único brasileiro), aliada ao apoio da fábrica Brasil Industrial, fundava em 16 de julho de 1912, o Paracambi F. C. Certamente, o Paracambi F.C. foi o primeiro nome e fomentador do esporte na cidade homônima.

Em 1936, para fins de melhor estabelecimento das atividades esportivas do clube, os diretores da CTBI levaram uma proposta ao corpo integrante do clube, onde a fábrica se colocava a disposição de ajudar o clube nas despesas de seus departamentos, mas em troca exigiria a mudança do nome da agremiação de Paracambi Futebol Clube para Brasil Industrial Esporte Clube. A medida não teve aceitação unânime em primeiro momento, mas foi sacramentada pelas duas partes e sendo esse nome sustentado até os dias atuais.

As glórias do vermelho e branco de Paracambi

Time do Brasil Industrial por volta do início da década de 70. (Foto/Arquivo: Brasil Industrial EC)
Time do Brasil Industrial por volta do início da década de 70. (Foto/Arquivo: Brasil Industrial EC)

Nos tempos que o Brasil Industrial ainda atendia pelo nome de Paracambi, certamente a vitória sobre o São Cristóvão por 2 a 1 no ano de 1926 foi o seu maior feito. O fato do time cadete ser campeão carioca naquele ano engrandece as fileiras do Brasil Industrial. Mas as maiores glórias vieram após a mudança de nome, quando a partir dos anos 50 o Brasil Industrial conquistou títulos nas categorias de aspirantes e amadores nas ligas de Vassouras, Paracambi e Itaguaí.

Alguns jogadores que conquistaram prestígio no passado do futebol brasileiro despontaram com a camisa do Brasil Industrial. Dentre estes estão Romeiro (ex-ponta do America e do Palmeiras nos anos 50), Osni do Amparo (ex-goleiro do America nos anos 50), Eli do Amparo (irmão de Osni e ex-meia do Vasco e do America nos anos 40 e 50), Coronel (ex-lateral-esquerdo do Vasco e do Náutico nos anos 50 e 60) e do meia Moreno (ex-America na década de 70 e 80).

As investidas no profissionalismo

A maior parte da vida do Brasil Industrial esteve fincada nas competições amadoras locais e regionais, mas em alguns momentos o clube se aventurou nas competições profissionais do estado do Rio de Janeiro.

Time do Brasil Industrial nos anos 90 - mesma década que disputou a Terceira Divisão. (Foto/Arquivo: Brasil Industrial EC)
Time do Brasil Industrial nos anos 90 – mesma década que disputou a Terceira Divisão. (Foto/Arquivo: Brasil Industrial EC)

A primeira investida se dá nos anos 40, quando o Brasil Industrial joga o Campeonato Fluminense de 1943, mas não consegue ir longe. O mesmo acontece em 1944. O clube só volta às disputas profissionais do antigo estado do Rio de Janeiro em 1954, quando o Campeonato Fluminense foi composto basicamente por equipes da região sul do estado. Nesta edição consegue seu melhor desempenho ao alcançar a Fase Final, mas não consegue o título.

Em 1995, os dirigentes do Brasil Industrial seguem o caminho do rival Tupy e ingressam no Campeonato Carioca da Terceira Divisão daquele ano. Naquele ano a Segunda Divisão de fato se chamava Divisão Intermediária, sendo então a Segunda Divisão na prática a Terceira e a Terceira Divisão era a Quarta. Nessa retomada ao profissionalismo, o clube faz uma boa campanha e ficou em 4º colocado dentre os 15 participantes do torneio. Infelizmente, o clube não prosseguiu os esforços de permanecer nas competições profissionais.

O fim da fábrica e os dias difíceis da atualidade

Atualmente o gramado do Moacyr de Franco (estádio do clube na Avenida dos Operários) não é palco dos jogos de outrem. Atualmente o clube é presidido por Sérgio Avelino que está no seu segundo ano de mandato. Porém, quando a reportagem do Super Gol visitou a sede do clube, fomos recebidos pelo diretor de esportes, Henrique de Castro, e pelo ex-presidente do clube e assessor de esportes da cidade de Paracambi, Gilmar Dias.

Gilmar Dias (ex-presidente do clube) e Henrique de Castro (diretor de esportes) lutam para manter a tradição do Brasil Industrial. (Foto/Arquivo: Gustavo de Azevedo)
Gilmar Dias (ex-presidente do clube) e Henrique de Castro (diretor de esportes) lutam para manter a tradição do Brasil Industrial. (Foto: Gustavo de Azevedo)

Gilmar é profundo conhecedor da história do clube e nos relatou sobre o clube desde a fundação, passando pelos grandes nomes do clube até o período que a equipe jogou a Terceira Divisão em 1995. Sobre esse período Gilmar relatou: “no ano de 1995 foi o ano que jogamos a Terceira e naquela ocasião fizemos uma boa campanha, pois chegamos na 4ª colocação no final do torneio”. Ele ainda ressaltou a não permanência no profissionalismo: “naquele período o presidente da época levou o clube ao profissionalismo, mas mesmo com a boa campanha não houve mais esforços para o clube seguir naquele caminho”.

Outro detalhe das dependência do clube. (Foto: Gustavo de Azevedo)
Outro detalhe das dependência do clube. (Foto: Gustavo de Azevedo)

Nos anos 90, a fábrica de tecidos que batizou o clube nos anos 30 e que desde então patrocinava o clube veio a falir. Do mesmo jeito o futebol na cidade entrou em declínio. Hoje o clube já não possui mais a categoria de adultos mantendo apenas o mirim e o pré-mirim sob o comando de Henrique de Castro. Henrique relatou de forma curta e grossa o momento do futebol da cidade: “hoje o futebol em Paracambi anda muito fraco”. Ele ainda complementa sobre uma possível volta do clube ao profissionalismo: “isso seria algo que gostaríamos muito de ver acontecer, mas com os valores da taxa de filiação (R$ 500 mil) atualmente na federação fica muito difícil”. Mesmo assim o diretor de esportes do Brasil Industrial tem muito orgulho em falar das proezas dos times de base em 2013: “no ano que se passou fomos campeões invictos no mirim e pré-mirim no campeonato da Liga de Paracambi e ficamos em quinto lugar na categoria mirim e terceiro lugar na categoria pré-mirim do Campeonato Iguaçuano”.

Para este ano o script deve ser igual ao do ano de 2013, quando o clube atuou pelo campeonato da Liga de Paracambi e no Campeonato Iguaçuano. A volta ao batente está marcada para o mês de março.

 A reportagem do Super Gol agradece os senhores Gilmar Dias, Henrique de Castro e demais funcionários do clube pela boa recepção.

4 thoughts on “Esquecidos FC – Brasil Industrial Esporte Clube

  1. Esse é mais um clube que conheço por intermédio do super-gol, salta aos olhos a riqueza que o futebol brasileiro em sua trajetória e o estado do Rio de Janeiro nesse caso, que desde das épocas amadoras ao profissionalismo apresentou e apresenta clubes como o Brasil Industrial, em Pernambuco temos inúmeros clubes parecidos que chegaram a se destacar mas que foram enfraquecidos com o tempo por conta do investimento.

  2. Esqueceram de dizer que o melhor jogador do mundo(ao meu ver), GARRINCHA já jogou nesse campo usando a camisa do BIEC, na década de 70.
    Meu Avô Lourival, era muito ligado à esse time assim como meu Pai Hélio Loroza, que não perdia um jogo.
    Passei minha infância acompanhando o BIEC em quase todos os jogos, junto com meu Pai, era verdadeiramente apaixonado por esse time e só se desligou dele quando saiu de Paracambi na década de 90.
    Tenho Fotos com o time do BIEC, inclusive a que estou entrando em Campo junto com o Garrincha, que Eu na época nem tinha noção de quem era, pois Eu tinha menos de 3 anos, mesmo assim me lembro de grandes histórias vividas dentro desse campo de futebol.
    SAUDADES desse TEMPO que NÃO VOLTA MAIS.
    Marco André Moura Loroza

      1. Exatamente, fez algumas partidas neste campo usando a camisa do Brasil Industrial Esporte Clube.
        Por sinal nesta época Eu era a criança que entrava no colo do jogador.

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