Esquecidos FC – Sport Club Anchieta

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Por Emerson Pereira e Gustavo de Azevedo

S.C. Anchieta – O rubro-negro da Zona Norte

IMG_0229No Rio de Janeiro, o vermelho e o preto juntos se traduzem na imagem da equipe mais popular do Brasil, o Flamengo. Mas pelos lados da Zona Norte, mais precisamente no bairro de Anchieta, essas cores ganham outro significado. Esse outro significado atende pelo nome de Sport Club Anchieta, clube quase centenário, representante do bairro limítrofe com a cidade de Nilópolis e que tem relação estreita com o futebol carioca desde os tempos do amadorismo.

O rubro-negro pobre e suburbano foi fundado na data de 1º de junho de 1919 com o nome que detém atualmente, mas com o passar do tempo decidiu-se fazer o aportuguesamento de seu nome, passando a se chamar Esporte Clube Anchieta (foto). No final da década passada, a atual administração do clube, que tem como presidente Ademar Barbosa, decidiu resgatar o nome em inglês, celebrando as origens do Anchieta. A sede do clube na rua Arnaldo Murinelli é o local que abriga todas as suas instalações esportivas e sociais. Além de piscina, ginásio e bar, a sede ainda possui o estádio Ademar Barbosa (nome alusivo ao atual presidente), carinhosamente referido como “o Barbosão”.

Voltando ao campo histórico do clube, sabe-se que os primeiros chutes na bola dados pelo rubro-negro foram no campo da Estrada de Nazareth, ali mesmo no bairro de Anchieta. Porém, não se sabe ao certo se o tal endereço atenda hoje como Avenida Nazaré, que margeia a ferrovia na localidade. O que se tem certeza é que 11 anos após sua fundação, o Anchieta veio ingressar no Campeonato Carioca organizado pela LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres). Nos anos seguintes, a equipe ingressou na Segunda Divisão do Campeonato Carioca organizado pela AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos), tanto que em 1933 a equipe se sagrou campeã deste certame, porém não houve acesso. Anos mais tarde, o Anchieta e outros clubes amadores da cidade do Rio de Janeiro fundaram o Departamento Autônomo.

Murilo começou no Anchieta
Murilo começou no Anchieta

A maior parte da existência do clube se deu nas participações dos torneios promovidos pelo Departamento Autônomo. Por essa associação, o rubro-negro se destacou ao ganhar os títulos na categoria juvenil em 1952, 1969 e 1971. No ano de 1956 veio o título na categoria de aspirantes e quase 20 anos depois, em 1975, o título principal do Departamento Autônomo. Na década de 90, mais precisamente em 1992, o clube opta pelas disputas profissionais e começa muito bem ao sagrar-se campeão da Terceira Divisão (Quarta Divisão na prática) naquele ano. Continua no profissionalismo em 1993, quando joga a Segunda Divisão (Terceira na prática), em seguida se licencia e só volta em 1997, ganhando a extinta Quarta Divisão. Após isso novo licenciamento, retornando em 2000, quando se sagrando vice-campeão da Terceira Divisão e disputa a Copa Rio. Assim, desde aquele ano perdura num longo período licenciado.

Nos anos 2000, o clube se limitou as disputas amadoras municipais e da Baixada Fluminense, colecionando algumas taças em diferentes categorias do amadorismo local. Mas, talvez, a honraria que mais encha de orgulho os benfeitores do Anchieta seja o fato da camisa rubro-negra ter sido vestida por dois nomes conhecidos no cenário do futebol carioca: Murilo e Quarentinha. Murilo foi ex-lateral-direito do Olaria e do Flamengo na década de 60, chegando a ser pré-convocado para a disputa da Copa do Mundo de 1966 pela Seleção Brasileira. Quarentinha, por sua vez, foi atacante e maior artilheiro da história do Botafogo com 313 gols marcados e possuindo passagens pela seleção nacional, onde marcou tremulou as redes por 17 vezes.

Infelizmente não há fotos e taças dos áureos tempos do Anchieta. Segundo Ademar Barbosa, “Hoje é um clube sem história”.

Atualmente…

Ademar Barbosa se orgulha com os títulos conquistados na base (Foto: Emerson Pereira)
Ademar Barbosa se orgulha com os títulos conquistados na base
(Foto: Emerson Pereira)

Os dias atuais são duros para o Sport Club Anchieta. O Gigante da Zona Norte, como é comumente chamado, já possuiu mais de 3000 associados. Hoje, o número não passa de 100. A lista de funcionários não tem mais que oito nomes, isso contando aqueles que trabalham indiretamente para o clube. Para sobreviver, o clube recorre aos aluguéis do campo de futebol, da piscina e do bar, onde ocorrem eventos sociais. Mesmo assim, a luta para continuar vivo é grande e no ano de 2007, o clube foi colocado em leilão devido às dívidas contraídas por administrações passadas. Para a sorte do Anchieta, o atual presidente, Ademar Barbosa, arrematou o clube no leilão pela quantia de R$ 70.000,00. Contudo, em meio às dificuldades, o sonho de voltar à Terceira Divisão ainda se sustenta só que esbarra na quantia alta em débito junto a FERJ (Federação de Futebol do Rio de Janeiro). Mesmo distante de uma volta ao profissionalismo e com o futebol parado em 2013, um grupo de crianças treina na escolinha de futsal que funciona no ginásio do clube. Os seguimentos dos trabalhos ficam sob a batuta do Professor Baiano. Quem sabe o futuro do Anchieta nos gramados passe pelos pés destes jovens pupilos?

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