Esquecidos FC – União Esportiva Coelho da Rocha

Escudo do Coelho da Rocha. (Foto: Gustavo de Azevedo)

Por Gustavo de Azevedo

U.E. Coelho da Rocha – Sob o ideal da união

Fundado na data de 20 de Agosto de 1950 por moradores da Baixada Fluminense como Sport Club União da Mocidade, o Coelho da Rocha é um dos clubes mais tradicionais do futebol dessa região. Localiza-se no bairro de mesmo nome em São João de Meriti, onde se encontra sua sede, detentora do estádio José de Amorim Pereira, tratado pelos moradores locais como o “Campo do União”, o qual possui capacidade para 5.000 pessoas e ainda obtém iluminação artificial, algo raro entre as praças esportivas amadoras do Rio de Janeiro.

Escudo do Coelho da Rocha. (Foto: Gustavo de Azevedo)
Escudo do Coelho da Rocha. (Foto: Gustavo de Azevedo)

A história do Coelho da Rocha começa desde os tempos do seu primeiro presidente, o ainda vivo Darcy Câmara e vai até os dias atuais, sendo comandado por Otojanes Coutinho. As primeiras disputas da equipe que possui cores e uniformes semelhantes aos do São Paulo FC aconteceram nos certames amadores do município. Os embates sempre envolviam uma forte rivalidade com equipes que representavam outros bairros meritienses, como o Fazenda FC de Vila Rosali, o Coqueiros FC de Vila Tiradentes e o Tomazinho FC de Tomazinho. Com o último a história dedica um capítulo à parte no profissionalismo.

O Coelho da Rocha soube timbrar seu nome no futebol amador da região. O clube coleciona em sua sala de troféus várias taças de diferentes categorias dos torneios promovidos pela Liga de Desportos e pela Liga Independente, ambas do município. A Liga Independente é presidida pelo próprio Otojanes Coutinho, vindo a substituir a Liga de Desportos, que está paralisada. Dentre todas as suas conquistas, a que expressa melhor a grandeza local do Coelhão é o tricampeonato meritiense conquistado em 65, 66 e 67, ainda do tempo em que era denominado União da Mocidade.

Por volta de 1980, com a recém fusão das federações carioca e fluminense, o clube entrou no “boom” de equipes que se profissionalizaram, sonhando um dia chegar à elite do futebol do Rio de Janeiro, para estar ao lado de Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo. Mas para ter chances mais sólidas, decidiu-se fazer uma fusão entre o União da Mocidade e o Novo Rio, outro clube da cidade e que já atuava no profissionalismo. O objetivo era criar uma agremiação mais forte, pois o União da Mocidade detinha apenas sede e estádio, enquanto o Novo Rio possuía um time competitivo. mas que não tinha local para atuar. Então, com a fusão estabelecida, passou a se chamar União Esportiva Coelho da Rocha, virando figurinha carimbada na Terceira Divisão do Campeonato Carioca.

A praça de esportes José de Amorim Pereira. (Foto: Gustavo de Azevedo)
A praça de esportes José de Amorim Pereira. (Foto: Gustavo de Azevedo)

Nos anos 80 e 90, o Coelho da Rocha fazia campanhas de destaque nas divisões de acesso do Campeonato Carioca com alguma frequência. As melhores se traduzem no vice-campeonato da Quarta Divisão em 1997, no terceiro lugar da Terceira Divisão em 1981 e no quarto lugar da Terceira Divisão em 1986. Nesta edição da Terceirona, aconteceu um dos momentos mais gloriosos da agremiação, quando disputou o clássico da cidade com o Tomazinho em pleno Maracanã lotado. O embate foi numa preliminar de Vasco e Flamengo, que decidiria o Estadual de 1986 em favor do clube da Gávea. Os vascaínos empurraram o Tomazinho, que possui inspiração no cruzmaltino, enquanto os flamenguistas doaram seus gritos pelo Coelho da Rocha em sinal de rivalidade. O placar do jogo ficou em 0 a 0 e o Tomazinho, junto ao Nova Cidade, conquistaria o acesso à Segunda Divisão, depois de mais alguns jogos.

Outro episódio que enche de orgulho as pessoas do Coelho da Rocha foi ocorrido na data de 12 de agosto de 1990 no estádio José de Amorim Pereira. Neste dia, o São Cristóvão veio enfrentar o Tomazinho no Campo do União pelo Campeonato Carioca da categoria mirim. Os cadetes venceram o duelo por 5 a 2 e o atacante pentacampeão mundial, Ronaldo “Fenômeno”, que atuava na divisão de base do São Cristóvão à época, marcou três gols, sendo estes os seus primeiros registrados em súmula e que iniciam a sua contagem oficial de gols. O feito traz tanto júbilo ao clube, que no ano de 2010 ao fazer 20 anos do ocorrido, o clube mandou fazer uma placa em menção aos gols de Ronaldo naquela data. Além do Fenômeno, clubes de reputação nacional já pisaram no gramado do estádio, como o Juventus-SP e o Atlético-MG, ambos pela Taça Rio de Janeiro de Juvenis do ano de 1991.

Atualmente, o Coelho da Rocha está num período de licença das competições profissionais que chega ao 11º ano. A última vez que disputou a Terceira Divisão foi em 2003, quando parou na Segunda Fase. Segundo o presidente Otojanes Coutinho, a volta do clube as competições profissionais é um grande sonho, mas que esbarra na falta de parceiros que venham trazer projetos concretos para viabilizar o almejado retorno. Outro fator que colabora para o licenciamento do clube é a falta de estímulos do poder público municipal, segundo Otojanes. Desde então, devido motivos de ordem financeira, se volta apenas aos certames amadores do município e da região em diversas categorias. O próprio presidente atua na categoria sub-60 do clube e tem prazer em mencionar que a Liga Independente, a qual dirige, é a única a promover campeonato de tal categoria. Outro motivo de regozijo de Otojanes é o fato do clube ser bem frequentado por pessoas ilustres do futebol carioca. O próprio Marco Antônio, lateral da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970, atua e treina a equipe sub-60 do Coelhão, sendo também morador do bairro.

Otojanes Coutinho, presidente do clube, com o escudo do S.C. União da Mocidade. (Foto: Gustavo de Azevedo)
Otojanes Coutinho, presidente do clube, com o escudo do S.C. União da Mocidade. (Foto: Gustavo de Azevedo)

2 thoughts on “Esquecidos FC – União Esportiva Coelho da Rocha

  1. Muito legal essa riqueza do futebol fora da grande mídia, dos bairros, com seu patrimônio físico ainda vivo e com utilização, aqui em Recife não encontramos esses clubes.

  2. no ano de 1997 acompanhei bem este campeonato foi um trabalho bacana com jogadores locais do bairro como romero , nando , como torcedor fui em um jogo em cachoeiras de macacu ver cachoeirense 0 x 1 uniao coelho da rocha inclusive vi de perto o diretor de futebol do cachoeirense o capitao do tri carlos alberto torres.o vice campeonato foi no jogo contra o cosmos de sao gonçalo.

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