Frente a Frente: Adilson Carioca comenta sobre o atual momento do futebol e muito mais

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Salve, salve, moçada! Em quase dois anos, pela primeira vez o Super Gol está lançando uma coluna de entrevistas. A partir de hoje, 4, vamos trazer a cada semana um personagem diferente do futebol fluminense. E para a estreia da coluna Frente a Frente, com vocês Adilson Ferreira, o Adilson Carioca, vice-presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Boa leitura!

Como foi a sua transição de atleta para dirigente?
Pratiquei o esporte, oficialmente, até os 38 anos e, não oficialmente, até os 44 anos. Encerrei a carreira no futebol de campo com 33 anos, quando ingressei através do Sérgio Murilo, na gestão de Lúcio Penna Lacombe, então presidente do America, para defender os interesses do clube na Federação e no Tribunal. Em seguida, passei a diretor da entidade e o Eduardo (Viana) tinha uma simpática relação comigo, mas já havia ingressado quando o Otávio Pinto Guimarães era o presidente, que assumiu a CBF.

O PRIMEIRO. Adilson Carioca, vice da Ferj, estreia a nova coluna do Super Gol (Foto: Emerson Pereira)
O PRIMEIRO. Adilson Carioca, vice da Ferj, estreia a nova coluna do Super Gol (Foto: Emerson Pereira)

Conte-nos mais sobre sua carreira como jogador…
No futebol de campo, comecei no Bonsucesso com o Sr. Guedes, aos 12 anos. Através de um tio, que frequentava muito o Jockey Club com o técnico Célio de Souza, que perguntou sobre um sobrinho que jogava muito. Ele me levou num CT em Manguinhos, sendo aprovado pelo Vasco. Depois fui para o Fluminense, aonde tínhamos um time espetacular: Nielsen; Zé Maria, Abel Braga, Jorge Cruz e Marinho; Marco Aurélio, Adilson Carioca e Rubens; Zé Augusto, Té e Célio; Pinheiro era o treinador, que também foi da Seleção Brasileira. Em 1972 me transferi para o São Cristóvão, passando ainda por São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Belenenses-POR, Vitória de Guimarães-POR, isso tudo conciliando a carreira do Exército. Retornei ao Bonsucesso, defendi o Madureira e encerrei a carreira, no futebol de campo, no Sergipe.

E no futebol de salão?
Quando conciliei as duas modalidades (futebol de campo e futebol de salão), comecei no Social Ramos Clube, passei pelo River, aonde tive o prazer de ser campeão do Infanto com o Zico, também fui emprestado pelo Club Municipal ao America, conseguindo o título de um torneio disputado contra o Internacional, Palmeiras e o Nacional de Montevidéu. Em 1972, joguei pelo Mackenze, Astória, que se fundiu com o EC Minerva, surgindo o Helênico. Passei também pelo Vila Isabel, que teve o maior time da história do futsal, Fluminense e o Monte Sinai, onde fui tricampeão, e no Marabu da Piedade.

Na sua visão, quais as diferenças no futebol do passado com o atual?
É público e notório a diferença do futebol de ontem para o de hoje. Antigamente, não haviam tantos recursos, porém, tinham muitos craques. Atualmente é o contrário: mais recursos e menos qualidades. No futebol de ontem, você ia num Centro de Treinamento e se deparava com 90% dos jogadores com uma qualidade enorme. Para escalar o meio-campo de uma equipe, já que o critério era o 4-2-4, o treinador tinha muitas dúvidas porque a maioria eram bons de bola e craques. Era um futebol cadenciado, simpático e muito atrativo. Me lembro do Silva, pai do Wallace (zagueiro do Flamengo), que ia no alto, matava no peito, dentro da área, com muita elegância, assim como o Cláudio Adão. O torcedor ia ao estádio e sabia que não teria pelada, até porque tinham também ótimos treinadores, como Jair Pereira, Danilo Alvim, entre tantos outros. Hoje, infelizmente, é um futebol do contato físico, da marcação cerrada, de muita velocidade. Para mim, o esporte está em decadência, tanto na parte técnica quanto tática.

Há anos os clubes “pequenos” não vão bem nas competições. Quais seriam os motivos para isso?
Antigamente se tinha uma dificuldade de tirar um atleta de seu clube. Atualmente, os jogadores da base já estão negociados com o exterior. Esse clube chamado pequeno não é nem um clube formador, como foi o America. Não está longe de nós essa fase do ostracismo nos clubes, como o Campo Grande, a Portuguesa, que ficou quase 10 anos fora da Série A, o America, Bonsucesso, Olaria, Canto do Rio, etc. Na época passada, era muito difícil os clubes maiores vencerem os menores dentro de seus estádios. Lembro que na década de 70, o Flamengo foi jogar no Ítalo del Cima e perdeu de virada para o Campo Grande. Os clubes não tinham tanto dinheiro, então era algo mais equilibrado. Assim que surgiram as cotas de TV, os clubes de menor investimento ficaram um pouco a parte. Isso aí vai dificultando e o futebol vai ficando cada vez mais aquém do passado. Enquanto têm clubes com belos CTs, outros nem campo tem pra treinar.

A criação da Liga Sul-Minas-Rio tem sido um assunto muito polêmico. Como você vê a criação desta competição?
Realmente foi criada, mas temos que acompanhar qual vai ser o desfecho final. A finalidade de determinados personagens do futebol é tentar descaracterizar a Federação, por meio desse “ciúme” doentio. Na Liga Sul-Minas-Rio, se proceder, ocorrerá um esvaziamento do Campeonato Estadual em alguns termos. Esses times do Rio de Janeiro, que querem jogar esta competição, colocariam um elenco alternativo. A Federação de Futebol, na qualidade de vice-presidente e homem de profunda confiança do presidente (Rubens Lopes), posso garantir que está muito bem estruturada quanto a isso e vai seguir acompanhado os fatos. Estamos trabalhando fulminantemente para tratar o futebol do Rio com toda elegância, com todo carinho e respeito que ele merece. Pode ter certeza que a Ferj está segura… Que venham eles.

Quais seriam as perdas pro Cariocão?
Esse novo quadro, com um novo regulamento e uma tabela muito bem arquitetada, não acredito que poderá ocorrer muitas perdas, em 2016. A Federação tem um respeito muito grande com o torcedor do Rio de Janeiro, juntamente com a televisão. Não acredito que movimentos criados por dois, três ou quatro times vão deturpar o (Campeonato) Carioca. Até porque são movimentos mal intencionados e esse tipo de propósito, de forma alguma, vai abalar o desempenho da Ferj na organização dos campeonatos.

Por fim, como o Adilson Carioca se define?
Eu me defino, como ex-atleta e dirigente, uma pessoa que procura primar pelo companheirismo e melhorar o futuro do futebol. Vejo esse futuro um pouco nublado, até que se definam os padrões. Procuro sempre o melhor para o desporto do Estado do Rio de Janeiro.

Bom pessoal, até a próxima! Fiquem na paz e um forte abraço de todo Super Gol!