Os três ‘maestros’ do Alvirrubro da Zona Oeste – Bangu 111 anos

Por Super Gol

Os primeiros meses de 2015 deixaram a torcida do Bangu apreensiva pela chance de voltar às competições nacionais. Porém, a derrota para a o Resende na noite de 8 de abril abortou o sonho alvirrubro de disputar o Campeonato Brasileiro da Série D. A dor pela derrota e a não classificação, marcou cada banguense, mas o clube da Zona Oeste pode se orgulhar de muitas coisas neste seu 111º aniversário.

O Super Gol reunião três importantes jogadores do vice-campeonato do Brasileirão de 1985: Mário Marques, Marinho e Ado. Cada um expôs a sua paixão pelo Gigante da Zona Oeste, que aniversaria nesta sexta-feira, dia 17.

OS MAESTROS. Mário (e), Marinho e Ado regeram a orquestra banguense (Foto: Emerson Pereira)
OS MAESTROS. Mário (e), Marinho e Ado regeram a orquestra banguense na década de 80 (Foto: Emerson Pereira)

Os dois lados de Mário Marques

Ser ídolo e, anos e mais anos depois, ver toda uma história construída ir por “água a baixo” foi a maior preocupação de Mário Marques. Fora de campo, o ex-meia livrou o Bangu do rebaixamento no Carioca de 2014 e, neste ano, por pouco não levou a vaga para o Brasileirão. Ele comentou sobre os dois lados que viveu no Alvirrubro: o jogador e o treinador.

MM - jogador– O Bangu faz parte da minha vida. Foram dez anos com a camisa do Fluminense, da base ao profissional, e outros cinco anos com a camisa alvirrubra, em seus bons tempos. É uma coisa que marca. Eu não queria nem ser treinador do clube, pois existe a imagem do jogador e confundir as duas coisas é complicado. Mas, dos últimos anos, essa campanha (no Campeonato Carioca) foi uma das melhores, mas eu queria ter levado a equipe um pouco mais à frente. Para os ex-jogadores, é sempre importante lembrar de onde você passou. Eu fiz parte do grupo que levou o Bangu à Libertadores da América e acho que isso entrou na história do clube. Enfim, só tenho que agradecer ao clube, desde a minha época de atleta, com o Dr. Castor de Andrade e, mais recentemente, com o Jorge Varela, que me deu a oportunidade de ser treinador. Eu queria ter ajudado muito mais – confessa.

Mário Marques exalta a bela campanha no vice-campeonato Brasileiro de 1985. Ele lamenta o gol anulado de Marinho, que não deu a taça ao Bangu. Nos pênaltis, o Coritiba-PR se sagrou campeão.

– O ano de 85 foi bom. O Rio de Janeiro todo torceu para o Bangu, algo que ninguém esperava. A gente saiu da concentração no horário que estávamos acostumados para ir ao Maracanã, mas quando chegamos na UERJ estava tudo parado. Tivemos que descer e passar pelo meio da torcida, que nos motivou ainda mais. Eu lembro deles gritando “Vamos lá, Bangu” e isso pesou. Infelizmente, a arbitragem nos prejudicou anulando um gol lícito do Marinho. Não desmerecendo o time do Coritiba-PR, mas nós merecíamos aquele título. A equipe era muito boa e, com a chegada de vários jogadores, reacendemos o espirito de time grande no Bangu. Talvez, éramos menores apenas no nome, mas o Castor dava toda a estrutura que precisávamos, tínhamos tudo do bom e do melhor. Só precisávamos corresponder no campo. Acho que nós fizemos isso – afirma Mário Marques.

Marinho: o craque da Taça de Ouro

MARINHO_BANGU_BOTAFOGO_FALAGLORIOSOEle defendeu o Botafogo e o Atlético-MG, mas a camisa que melhor lhe caiu foi, sem dúvida alguma, a do Bangu. Sabe de quem estamos falando? Sim, é dele: Marinho. Em poucas palavras, o ex-camisa 7 do Alvirrubro da Zona Oeste expôs a sua paixão por esse clube:

– O Bangu para mim, é tudo. Eu cheguei à Seleção Brasileira por intermédio desse clube. Eu só tenho que agradecer, pois aqui eu não sou esquecido. Se hoje o Marinho é conhecido, só foi possível pela minha atuação nesse clube. Eu amo essa camisa – declara.

Assim como Mário Marques, Marinho enaltece o elenco banguense no vice-campeonato Brasileiro de 1985. Nesta mesma competição, o mineiro mais carioca da Zona Oeste foi eleito o melhor jogador pela Revista Placar.

– O Moisés, que era o treinador, falava pouco com o jogadores porque não precisava. O time sempre esteve pronto para as partidas. Bem dizer, eu me considero campeão do Brasileiro e do Carioca. O time do Bangu era muito bom e representou muito bem o Rio de Janeiro – finaliza Marinho.

A volta por cima após uma dor incurável

Chegar numa final de um Brasileirão é um sonho, ainda mais para um jovem de 22 anos. Para Ado, isso aconteceu. Autor do gol que abriu o caminho para a classificação à decisão, na vitória sobre o Brasil de Pelotas-RS, o ex-atacante foi do céu ao inferno em poucos minutos. Ele perdeu o pênalti contra o Coritiba… O final, nós já sabemos.

adoPorém, Ado brilhou e muito com a camisa banguense. Desde a Copa Rio, o ex-jogador integra a comissão técnica do seu clube do coração. Emocionado, ele mostrou muita gratidão ao Gigante da Zona Oeste:

– O Bangu sempre foi a minha vida. Foi um sonho ser convidado pelo Mário (Marques) para compor a comissão técnica neste Campeonato Carioca. Sou agradecido até hoje aos torcedores e toda galera da Zona Oeste, porque eu renasci ao voltar a fazer parte da família banguense – disse Ado, que voltou a agradecer o apoio dos torcedores, desde o momento mais difícil de sua carreira:

– Só tenho que agradecer aos torcedores pela confiança em que tiveram na minha pessoa, tanto nos melhores momentos quanto nos piores, que foi quando perdi o pênalti na final do Brasileiro de 1985. Eles sempre estiveram ao meu lado e são as pessoas mais importantes, que, quando precisei, sempre estiveram no meu lado. Me resgataram em vida – garante.

Ado não esqueceu de prestar uma singela, mas de coração, homenagem ao grande patrono do Alvirrubro: Castor de Andrade.

– O Castor de Andrade era torcedor e, acima de tudo, um pai para cada jogador. Era morador do bairro e incentivava tudo que acontecia e no clube não poderia ser diferente. A Mocidade Independente de Padre Miguel e o Bangu cresceram gracas a ele – finaliza.

Enfim, a equipe do Super Gol parabeniza ao glorioso Bangu Atlético Clubes pelo seus 111 anos de existência. Parabéns, Banguzão!