Um detalhe que tirou a taça de Moça Bonita

bangu - vice2

Por Super Gol

O MAQUINISTA DO EXPRESSO. Marinho foi o artilheiro do Banguzão e o melhor jogador do Brasileiro (Foto: Placar)
O MAQUINISTA DO EXPRESSO. Marinho foi o artilheiro do Banguzão e o melhor jogador do Brasileiro (Foto: Placar)

O Campeonato Brasileiro de 1985 foi marcado pelo brilho de um grande carioca… Nada de Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense. A temporada foi do Gigante da Zona Oeste, o Bangu Atlético Clube. O expresso de Guilherme da Silveira desbancou os ditos favoritos, foi avançando dando um passo por vez e, quando piscaram os olhos, todos viram Marinho, Ado, Mário Marques, Lulinha, dentre outros, na final da competição contra o Coritiba (PR).

Imponente no Grupo D, o Banguzão avançou de fase com 14 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, com 37 gols marcados e 16 sofridos, com o saldo positivo de 21 tentos. Na segunda fase, o time do patrono Castor de Andrade teria duas grandes potências do futebol brasileiro: Internacional (RS) e Vasco da Gama. Isso poderia ser um grande empecilho , porém, a equipe manteve o nível do bom futebol, espantou o apelido de “azarão” e se classificou para a semifinal do Brasileirão no tempo, encerrando a participação no Grupo H com a emblemática vitória sobre o Inter, por 2 a 1, no Estádio do Beira Rio, em Porto Alegre.

Com sorte e competência contra gaúchos, os banguenses tiveram novamente o Brasil de Pelotas pela frente, que já haviam vencido por duas vezes na primeira fase. Moral da história: mais dois triunfos e a inédita vaga na final para encarar o Coritiba, outra grande surpresa.

“O jogo está marcado para a quarta-feira, mas se fosse domingo a festa seria melhor. Seria num dia apropriado para o futebol, numa tarde, em que o Bangu inteiro poderia descer para festejar o seu clube”, disse Castor de Andrade logo após a vaga na final e na Copa Libertadores em 86. Porém, o desejo do então presidente de honra não foi acatado pela CBF e a partida foi no meio de semana, no Maracanã. Sintoma de casa vazias? Que nada. Mais de 91 mil pessoas lotaram o “Templo do Futebol”.

Dez segundos para eternidade

A TRAIÇÃO DA BOLA. Um dos grandes destaques do Bangu, Ado lamenta pênalti perdido (Foto: Custódio Coimbra/Jornal do Brasil)
A TRAIÇÃO DA BOLA. Um dos grandes destaques do Bangu, Ado lamenta pênalti perdido (Foto: Custódio Coimbra/Jornal do Brasil)

Mantendo a sua maneira ofensiva de jogar, o Bangu entrou em campo na noite de 31 de julho de 1985 empurrado por todo Rio de Janeiro, como relembra o ex-meia Mário Marques: “O Rio de Janeiro todo torceu para o Bangu, algo que ninguém esperava. A gente saiu da concentração no horário que estávamos acostumados para ir ao Maracanã, mas quando chegamos na UERJ estava tudo parado. Tivemos que descer e passar pelo meio da torcida, que nos motivou ainda mais”, disse ao Super Gol.

O Banguzão pressionou o Coritiba desde o apito inicial, mas acabou punido aos 25 minutos. Em cobrança de falta magistral, Índio acertou o ângulo esquerdo de Gilmar, que nada pôde fazer. Porém, o Gigante da Zona Oeste não se abateu e tratou de igualar o marcador com Lulinha, que marcou justamente esse gol em toda competição, aos 35.

Apoiado por sua fiel torcida, “reforçada” com os demais cariocas, os comandados de Moisés seguiram atacando, mas paravam na grande atuação do goleiro Rafael. Até que, no segundo tempo, Marinho foi lançado por Lulinha, arrancou, driblou o arqueiro e colocou na rede. O Maraca explodiu de alegria, o assistente Osvaldo Campos correu para o meio, mas o árbitro paulista Romualdo Arppi Filho assinalou impedimento e anulou o gol. Uma das grandes dúvidas até hoje.

O empate em 1 a 1 perdurou até o fim da prorrogação e a decisão do título foi para a marca da cal, nos 11 metros. Nas cinco primeiras cobranças, o equilíbrio seguiu e alvirubros e alviverdes marcaram. Abrindo as alternadas, já na madrugada de 1º de agosto, coube ao ponta esquerda Ado, que abriu o caminho para a equipe ir à decisão, cobrar o penal. Foram exatamente dez segundos entre colocar a pelota na marca e efetuar a cobrança, que se perdeu à direita de Rafael. Em seguida, Gomes venceu Gilmar e a taça foi para o Sul do Brasil.

“Peço desculpas, em público, ao povo do Rio de Janeiro porque eu estava com confiança. No segundo tempo fiz uma boa partida, mas isso tudo caiu em nada porque chutei para fora fora”, lamentou ao fim da partida. Inconsolável, restou a Ado e aos banguenses levantarem a cabeça e guardar na lembrança o feito, que não foi revivido em 30 anos.